segunda-feira, 8 de junho de 2026

Dom Casmurro, de Machado de Assis.

O clássico Dom Casmurro foi traduzido para as telas tanto no cinema contemporâneo com o filme Dom (2003), quanto na televisão com a aclamada minissérie Capitu (2008), que utilizou uma estética altamente teatral e poética para traduzir o denso fluxo psicológico da obra de Machado de Assis.

Em Dom Casmurro, Machado de Assis entrega sua obra-prima da ironia e da ambiguidade, transformando um clássico drama de ciúme em uma das investigações mais brilhantes da mente humana e da nossa incapacidade de enxergar além das próprias certezas.

A Trama e o Tom

A narrativa é conduzida em primeira pessoa por Bento Santiago na velhice. Conhecido como "Dom Casmurro" devido ao seu isolamento e melancolia, ele decide reconstruir a própria história para "unir as duas pontas da vida" e tentar entender como o seu idílio romântico da juventude com Capitu, sua vizinha e grande paixão, ruiu tão drasticamente. O tom é de um memorialismo amargo, meticuloso e profundamente manipulador; Bento não relata apenas fatos, ele constrói uma tese jurídica para convencer o leitor (e a si mesmo) de que foi tragicamente traído por sua esposa com seu melhor amigo, Escobar.

Pontos Fortes

  • A Engenhosidade do Narrador Unilateral: O maior triunfo do livro é a sua estrutura. Como toda a história é filtrada pelos olhos obcecados e ciumentos de Bentinho, o leitor é preso em uma armadilha psicológica, sendo forçado a ler nas entrelinhas para tentar separar o que é realidade e o que é a projeção da paranoia do protagonista.

  • O Enigma de Capitu: Longe de ser uma personagem passiva, Capitu é uma das figuras mais complexas da literatura mundial. Seus "olhos de ressaca" ou de "cigana oblíqua e dissimulada" refletem uma inteligência, vivacidade e maturidade que superam de longe as inseguranças de Bentinho.

  • A Crítica à Elite Carioca: Através do cotidiano da Rua de Matacavalos, Machado ironiza com sua acidez habitual as aparências, a religiosidade de fachada (as promessas de Dona Glória) e as convenções sociais de um Rio de Janeiro oitocentista.

Pontos de Crítica

  • Exigência de Leitura Ativa: Para quem busca uma narrativa linear ou respostas definitivas, o livro pode ser frustrante. A obra recusa soluções fáceis e exige que o leitor assuma o papel de juiz, desconfiando de cada adjetivo usado pelo narrador.

Veredito

Dom Casmurro é um livro eterno porque não é sobre o adultério em si, mas sobre a dúvida e o poder destrutivo da obsessão. A famosa pergunta — afinal, Capitu traiu ou não traiu? — é a isca perfeita que Machado plantou para nos mostrar que, na verdade, a resposta importa menos do que o exame fascinante do tribunal psicológico criado por Bentinho.

Você se inclina a enxergar a história sob a ótica da dúvida insolúvel e da paranoia do Bentinho, ou prefere analisar os detalhes do comportamento e da personalidade marcante da Capitu diante daquela sociedade?

https://www.youtube.com/watch?v=_rg9VErwKLo&t=2s



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