O livro Incidente em Antares, de Érico Veríssimo, não foi adaptado para o cinema, mas sim para a televisão.
Publicado em 1971, "Incidente em Antares" é a última grande obra de Érico Veríssimo e representa uma virada magistral do autor para o realismo fantástico como forma de crítica política e social. A narrativa é dividida em duas partes: a primeira traça uma detalhada genealogia da cidade fictícia de Antares, no Rio Grande do Sul, expondo as disputas de poder entre as famílias rivais Campolargo e Vacariano ao longo das décadas; a segunda parte foca no "incidente" propriamente dito, ocorrido em 1963, quando uma greve geral paralisa a cidade, impedindo o sepultamento de sete personagens locais de diferentes estratos sociais. Revoltados com a negligência, os mortos levantam-se de seus caixões e ocupam o coreto da praça central para reivindicar o direito ao enterro, aproveitando a condição de "mortos" para escancarar, de forma visceral e sem medo de represálias, as podridões, segredos e hipocrisias das autoridades e dos cidadãos vivos. Com uma ironia afiada, Veríssimo utiliza o sobrenatural para traçar um diagnóstico impiedoso do Brasil da época, abordando temas como corrupção, repressão e injustiça social em um texto que, apesar do tom fantástico, permanece profundamente ancorado na realidade política latino-americana.
O romance foi transformado em uma aclamada minissérie de televisão pela TV Globo em 1994, com direção de Paulo José. A produção foi um grande sucesso, com um elenco de peso que incluía Lima Duarte, Fernanda Montenegro e Lourenço Mutarelli, e foi ao ar no Brasil e em Portugal.
A minissérie, assim como o livro, conta a história de sete mortos que se recusam a ser enterrados devido a uma greve dos coveiros e voltam à vida para revelar os segredos da pequena cidade de Antares.
https://www.youtube.com/watch?v=C8mtoeyw4Po
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